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(Leer esse artigo em inglés, frances, espanhol)A partir do morro de São Benedito, Cidade de Vitória, Estado do Espírito Santo, Brasil.
Já escrevemos sobre os bancos comunitários na Venezuela (ler o artigo sobre a Fundefir). São bancos desenvolvidos em comunidades pelos próprios habitantes. Fazem microcrédito.
Ver uma definição de bancos comunitários.
http://www.dailymotion.com/videoxchzzp
Existem muitos bancos comunitários no Brasil. Não só emprestam e abastecem em vários serviços bancários os excluídos do sistema, mas também o fazem com sua própria moeda, as « moedas sociais » (ou moedas alternativas). Estas moedas são emitidas pelos bancos comunitários de modo que o dinheiro emprestado não saia da comunidade. Assim, o crédito é também uma inversão no desenvolvimento da comunidade.
Encontram-se cerca de 50 moedas alternativas no Brasil. Uma unidade de moeda alternativa vale um real. No total, seria um milhão e meio de reais que circulam como moeda paralela, sendo mais ou menos 30 000 reais emitidos por banco.
Ver uma definição de moeda social.
http://www.dailymotion.com/videoxci08i
Cada banco começa assim: alguém faz uma doação, em reais. Esta doação é convertida em reais (1 real = 1 moeda alternativa), e emprestada, sem juros. Os bilhetes têm número e sistema de segurança. A parte difícil vem depois: convencer aqueles que fornecem e comerciantes do bairro da utilidade e relevância da moeda. É necessário explicar ao comerciante que a moeda alternativa poderá lhe trazer mais clientes (porque ela só é aceita nas lojas do bairro). E para convencer quem empresta, se negociam preços em lojas associadas.
Em longo prazo, um banco comunitário quer ser sustentável. E pode fazer empréstimos com interesses, para empreendedores. Mas esses interesses são geralmente muito baixos e ainda não permitem essa sustentabilidade.
A origem
O primeiro banco comunitário do Brasil é o Banco Palmas, fundado por João Joaquim Melo Segundo, em Fortaleza, Nordeste do Brasil. O banco Palmas foi um sucesso, mas logo depois apareceu o problema: muito dinheiro entra e sai da comunidade, mas a comunidade continua pobre. A comunidade está pobre, não porque não há dinheiro nela, mas porque o dinheiro que têm é utilizado para comprar fora dela. A idéia foi de encontrar um meio para que este dinheiro ficasse e circulasse na comunidade. Assim, criaram a « Palmas », primeira moeda social do Brasil.
O reconhecimento
O Banco Central do Brasil não gostou do surgimento de moedas concorrentes. A rede de bancos comunitários teve que lutar anos, antes de conseguir que sua moeda fosse considerada como uma « moeda complementar ». Pode circular legalmente se são conversíveis e se uma moeda conversível for igual a um real. Isto é para evitar o risco que poderia provocar uma multiplicação das moedas. No dia 18 de novembro de 2000, o Banco Central admitiu a legalidade e utilidade da rede de bancos comunitários. Eles abastecem em serviços os excluídos e ajudam no desenvolvimento local. Em 4 de janeiro de 2010, realizou-se um acordo entre o Banco Central, o Ministério do Trabalho e os bancos comunitários para apoiá-los.
E mais…
O Brasil não é o único país que se encontram bancos comunitários. Há mais na Argentina, por exemplo, por causa das crises monetárias que afetam o país. Os bancos comunitários conseguiram tornarse legais. Mas a luta não acabou: há muito trabalho para convencer as pessoas, e principalmente os comerciantes, da utilidade das moedas alternativas, e de seu interesse em utilizá-las.
Carta da Rede de Bancos Comunitários
Artigo sobre moedas sociais no Brasil
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